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Alegrias e uivos de Maria Alcina se harmonizam em documentário folião apresentado no Festival do Rio 2026

Maria Alcina Divulgação / Festival do Rio ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” Direção e roteiro: Elizabete Mart...

Alegrias e uivos de Maria Alcina se harmonizam em documentário folião apresentado no Festival do Rio 2026
Alegrias e uivos de Maria Alcina se harmonizam em documentário folião apresentado no Festival do Rio 2026 (Foto: Reprodução)


Maria Alcina Divulgação / Festival do Rio ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” Direção e roteiro: Elizabete Martins Campos Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ “Choro muito por dentro. Uivo baixinho. [...} Também choro de amor. E minto bem também...”, confessa Maria Alcina em fala do depoimento que deu para o documentário “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”, atração da Mostra Retratos do Festival do Rio 2026 com sessões hoje e amanhã, 8 e 9 de outubro. Dirigido e roteirizado por Elizabete Martins Campos, o filme persegue o espírito folião da cantora mineira nascida há 77 anos em Cataguases (MG), revelada na boate carioca Number One – a única que aceitou o tom expansivo da intérprete debutante, distante da personalidade mais domesticada das crooners, como Alcina ressalta no filme – e projetada em todo o Brasil em 1972 ao defender a música “Fio maravilha” (Jorge Ben Jor) na sétima e derradeira edição do Festival Internacional da Canção (FIC). “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” é o segundo documentário dedicado à artista em dois anos e supera o antecessor “Maria Alcina – Sem vergonha” (2024), dirigido por Rafael Saar e estreado na na 48ª Mostra internacional de cinema de São Paulo. No roteiro de “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”, a cantora faz literal viagem de volta ao começo em Vila Minalda, bairro da cidade natal de Cataguases (MG), onde Alcina absorveu o canto informal da mãe lavadeira e as lições do pai músico que sofreu com a perda da audição. Com tempos lentos que contrastam com o tom esfuziante do canto de Alcina, o roteiro enfoca a descoberta da voz pela artista nos tempos de colégio, o exercício do canto no coral do Santuário de Santa Rita de Cássia e na fábrica onde Alcina tentou ganhar a vida. “Eu buscava a música. Ela sempre esteve comigo”, reflete Alcina. Entrecortada por clipes com músicas ouvidas em arranjos inéditos de Yuri Queiroga, a narrativa do filme legitima o que é dito através do canto. “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” é filme mais focado nos risos do que nas lágrimas da artista, ainda que Alcina toque na questão da censura sofrida pela cantora – no auge da trajetória, após o lançamento do segundo álbum, editado em 1974 – e na fase mais depressiva em que a cantora se sentia desmotivada a sair para fazer show. Sem maquiar a realidade, Maria Alcina lembra inclusive dos tempos de menor visibilidade em que recorreu ao ofício de jurada de programas de auditório de TV. “Usei esse espaço para não ser esquecida pelo povo brasileiro”, contextualiza a cantora, trazida de volta à mídia a partir da edição do revigorante álbum “De normal bastam os outros” (2013). Músicas deste disco e do álbum seguinte “Espírito de tudo” (2017), disco potente dedicado ao cancioneiro de Caetano Veloso, são recorrentes na trilha sonora desse documentário que mostra que, pelas brechas e mesmo eventualmente chorando ou uivando baixinho, Maria Alcina – uma das mais completas traduções da liberdade tropicalista de 1968 – sempre fez o Carnaval. Cartaz do filme 'Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina', da diretora Elizabete Martins Campos Divulgação

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