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Incrível em cena como Tim Maia, Thór Júnior faz valer musical de dramaturgia rala e clima de baile com hits do cantor

Thór Júnior emula com perfeição o canto e os maneirismos de Tim Maia (1942 – 1998) Caio Gallucci / Divulgação ♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO Título:...

Incrível em cena como Tim Maia, Thór Júnior faz valer musical de dramaturgia rala e clima de baile com hits do cantor
Incrível em cena como Tim Maia, Thór Júnior faz valer musical de dramaturgia rala e clima de baile com hits do cantor (Foto: Reprodução)

Thór Júnior emula com perfeição o canto e os maneirismos de Tim Maia (1942 – 1998) Caio Gallucci / Divulgação ♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO Título: Tim Maia – Vale tudo – O musical Texto: Nelson Motta Direção artística: Pedro Brício Direção musical e arranjos: Carlos Bauzys Cotação: ★ ★ ★ ♬ A partir de agosto de 2011, Tiago Abravanel deixou de ser conhecido como neto do apresentador de TV e empresário Silvio Santos (1930 – 2024) e fez o próprio nome como ator ao interpretar Tim Maia em musical de teatro sobre o cantor e compositor carioca. A performance fenomenal de Abravanel valorizou musical dirigido por João Fonseca e escrito por Nelson Motta com base na biografia “Vale tudo – O som e a fúria de Tim Maia”, feita pelo próprio Motta e lançada em 2007 com histórias saborosas sobre a vida e a música de Sebastião Rodrigues Maia (28 de setembro de 1942 – 15 de março de 1998), uma das pedras fundamentais do funk e do soul brasileiros. Quinze anos depois, o fenômeno se repete em cena. Incrível na pele e na voz de Tim Maia, o ator e cantor baiano Thór Júnior faz valer a nova montagem de “Tim Maia – Vale tudo – O musical”, espetáculo que acaba de chegar ao Rio de Janeiro (RJ), cidade natal do Síndico, em temporada no Teatro Casa Grande, após ter passado por São Paulo (SP) entre outubro e dezembro de 2025. Desta vez, a direção é de Pedro Brício. Já o texto é novamente assinado por Nelson Motta com base no texto anterior, embora não seja rigorosamente o mesmo da montagem original estreada em 2011. Sobre todas as coisas, paira o brilho do ator protagonista, o baiano Thór Júnior. Com semelhança assombrosa, Thór Júnior segura o musical e a atenção do público ao longo das duas horas e meia de espetáculo. À atuação de Thór (fascinante ao emular com perfeição o canto, o fraseado e os maneirismos de Tim Maia), soma-se o clima de baile que permeia todo o musical. Ao som de arranjos que reproduzem a pulsação da banda Vitória Régia, marca registrada do som de Tim, o público ouve sucessos irresistíveis como “Não quero dinheiro (Só quero amar)” (1971), “Réu confesso” (1973) e “Que beleza” (1975). Em determinado número musical, Thór pede até para que o público se levante das poltronas para dançar. “Tim Maia – Vale tudo – O musical” é mais baile do que teatro. A dramaturgia é rala. E tem um erro indesculpável, ainda mais sendo o texto assinado por Nelson Motta, biógrafo de Tim Maia. O musical induz o espectador a pensar que, após a saída do cantor da seita Universo em Desencanto em 1976 (adesão que gerou dois hoje valorizados álbuns sobre a cultura Racional), Tim voltou ao sucesso com a gravação do samba-soul “Gostava tanto de você”, música mais famosa do compositor carioca Edson Trindade (1944 – 1993), feita no fim da década de 1950 e lançada por Tim Maia em gravação feita para o quarto álbum do cantor, em 1973, antes da entrada na seita. Há erros menos gritantes, como o fato de Thór cantar os três sucessos do álbum “Tim Maia disco club” (1978) – “Sossego”, “Acende o farol” e “A fim de voltar” – com o visual adotado por Tim a partir dos anos 1980. A caracterização de Thór Júnior, a propósito, é muito bem feita e contribui para alimentar a ilusão de que é Tim Maia quem está comandando o baile no palco do Teatro Casa Grande. Contudo, a rigor, o público nem percebe ou se importa com tais dissonâncias. O musical cumpre a função de louvar Tim Maia em clima de festa, com humor rarefeito. A música é senhora da cena, inclusive nas falas musicais de acento black, tanto na pulsação (predominante) do soul como na cadência do rap, em que um coro ora masculino ora feminino conta passagens da vida de Tim, situando o espectador na biografia do cantor. Como de praxe em musicais biográficos, outros cantores entram em cena para reproduzir feats históricos com Tim Maia. Há o dueto antes da fama com Elis Regina (1945 – 1982) em “There are the songs” (1969) e há o encontro com Gal Costa (1945 – 2022) no programa “Cassino do Chacrinha” para cantar (na verdade, Tim e Gal dublaram) “Um dia de domingo” (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1985). Em cena, Elis é Elá Marinho em cena. Gal é Mari Rosinski. Entre os feats de Tim com cantoras, o número mais vibrante é o canto de “Vale tudo” (1983) com Sandra de Sá, impagável na pele de Suzana Santana. Já Roberto Carlos é retratado de forma bem caricatural por Tiago Herz, forçando o riso. O roteiro musical também inclui “Chocolate” – jingle composto e gravado por Tim em 1971 para a Associação Nacional dos Produtores do Cacau (ANPC) – na voz de Julia Gorman, atriz que personifica Marisa Monte. E o fim, antes do que pode ser considerado espécie de bis do baile, emociona ao som da balada “Você” (1969) pelo número simbolizar no roteiro a saudade deixada por Tim Maia ao partir em 1998, com 55 anos. Enfim, vale tudo para entreter o público. Sob esse prisma, é inegável que o espectador sai feliz após ver o musical sobre Tim Maia, ao som do funk “Do Leme ao Pontal” (1981), certamente encantado com a performance fenomenal de Thór Júnior como o lendário e imortal cantor. Dueto de Thór Júnior (Tim Maia) com Suzana Santana (Sandra de Sá) no canto de 'Vale tudo' é um dos números mais vibrantes do musical em cartaz no Rio de Janeiro (RJ) Caio Gallucci / Divulgação

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