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'Nem acreditam que sou cego', diz MC Leozinho ZS, destaque entre mais ouvidos do país

O cantor MC Leozinho ZS Reprodução/Instagram Hoje, um dos MCs que melhor retratam a realidade das periferias de São Paulo é MC Leozinho ZS, de 26 anos, cego des...

'Nem acreditam que sou cego', diz MC Leozinho ZS, destaque entre mais ouvidos do país
'Nem acreditam que sou cego', diz MC Leozinho ZS, destaque entre mais ouvidos do país (Foto: Reprodução)


O cantor MC Leozinho ZS Reprodução/Instagram Hoje, um dos MCs que melhor retratam a realidade das periferias de São Paulo é MC Leozinho ZS, de 26 anos, cego desde os oito meses de idade por conta de uma meningite. Vivendo seu melhor momento na carreira, ele emplacou a quarta música mais ouvida do país, segundo o Spotify: "Tá Pedindo Toma", single do seu álbum mais recente, "Na Contramão", lançado em julho deste ano. Ao g1, o cantor conta que trata a questão da deficiência com leveza e afirma estar feliz com o sucesso. "Não levo a deficiência como um tabuzão. Eu consigo fazer tudo, tá ligado? Não dependo de nada nem de ninguém. Tem gente que nem acredita que sou cego. As pessoas falavam: 'Pô, como um moleque assim canta, compõe, produz?'." Agora no g1 "Tá Pedindo Toma" reúne outros quatro funkeiros, todos escolhidos a dedo por Leozinho: Murilo MT, DR, RN do Capão e Pelourinho, além do produtor JHOW BEATS. As participações não estão entre as mais ouvidas do país nem entraram na faixa apenas para impulsionar números. A ideia era trabalhar com amigos, sendo a maioria da região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, onde o funkeiro nasceu. Ao longo dos mais de quatro minutos de música, o elo entre todos os versos é um carro: mais precisamente o Toyota Corolla. "Ah, é um carro de patrão, né? Falando por mim, sempre foi meu sonho ter um. Ainda vou realizar." Na contramão Com um home studio montado em casa, o funkeiro conta que domina todas as etapas da produção musical: da composição à masterização. E aprendeu tudo como um autodidata, sem cursos ou faculdade. Ele diz que, com o avanço tecnológico, consegue se virar tranquilamente com os programas de áudio usando comandos de voz. "Eu gosto de me gravar. Quando comecei, fazia uns beats também, mas nos últimos anos ficou mais difícil, estou fraco, deixo essa parte com os DJs, mas dou um pitaco ou outro." Leozinho ZS começou no funk há mais de uma década, quando as letras com temática sexual estavam em alta. Ele seguiu a onda no início, mas suas faixas mais explícitas duraram pouco tempo. Logo o artista migrou para a vertente do funk consciente. O funkeiro MC Leozinho ZS Reprodução/Instagram As composições sobre o cotidiano da quebrada repercutiram rápido e renderam elogios de nomes consagrados do gênero, como MC Hariel e Neguinho do Kaxeta — este último, ídolo e padrinho musical do cantor. Hoje, a voz que se destaca ao falar do dia a dia das favelas paulistanas é a de um funkeiro cego. "O fato de eu ser cego, no caso das composições, é só um detalhe. Parece meio engraçado, mas é a verdade. Eu nasci e morei na favela quase minha vida inteira. Hoje, graças a Deus, as coisas foram acontecendo e não moro mais lá, mas ainda frequento muito." "As letras são histórias que vou ouvindo dos parceiros, que ouço de um ali na adega, de outro no pagode. Para mim, é algo natural falar disso, é o que eu vivo, por onde ando." O título do disco, "Na Contramão", reflete a postura do artista diante das tendências do mercado. Enquanto o circuito aposta em faixas focadas em ostentação, luxo e bens materiais, Leozinho ZS preferiu priorizar narrativas de superação e crônicas sociais — sendo "Tá Pedindo Toma" a única exceção dançante entre as 12 faixas. "No 'Na Contramão' eu quis trazer uma música de festa, que é destaque hoje em dia, mas quis focar no consciente. Eu sempre fui dessa visão também de ter os conscientes, por isso que é 'Na Contramão', porque ia ter várias paradas que ia contrastar."

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